Três apitos

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você.

(Noel Rosa)**

*Compositor, Cantor, Violonista, nasceu no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, tornando-se anos mais tarde conhecido como o “Poeta da Vila”. Morou durante seus vinte e seis anos e meio de vida na mesma casa na rua Teodoro da Silva, que tempos depois seria demolida para a construção de um prédio residencial que leva seu nome. (http://www.dicionariompb.com.br).

Relembrando a época de apogeu das grandes indústrias (principalmente de tecidos) nos centro urbanos.

O luxo

Luxo não é um modo de vida superfluo, glamoroso, ou objeto da ostentação

Luxo não é um segmeto de mercado que movimenta a economia do mundo

Luxo não é algo inacessível, indesejável…

Luxo, meus caros, é ter o prazer de admirar, de saber apreciar uma natureza intocada, e inabalável.

..e maior luxo ainda, é poder estar nesse lugar!

 

                                                                                      Mariana Barbosa

Kai ola moiazoun- e tudo se parece

-Amo um rapaz de olhos mágicos, mesmo estando longe de mim, ele sempre vem nos meus sonhos….(bonitinha néh!?)

linda musica..Obrigada Natalia (euxaristw!)

Evocação do Recife

 

Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão

(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão…)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.

Rua da União…
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade…
…onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora…
…onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras

Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo…
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife…
Rua da União…
A casa de meu avô…
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife…
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.

                                                                                                      MANUEL BANDEIRA

O caliginoso verde!

A relação dos primeiros colonizadores com a natureza tropical, sob o ponto de vista  do explorador, diante do explorado.

- É um comentário feito pelo professor Nicolau  Sevcenko, em colóquio, sobre “O Brasil dos Viajantes”.

“No sentido da atitude predatória face a natureza é possível ver o processo da colonização como sendo comandado por duas cores fundamentais: o vermelho e o verde. O vermelho do fogo e o verde da mata. Ao contrário da nossa interpretação atual dessa simbologia cromática, na verdade, o verde é a cor do perigo e se tentarmos reproduzir a condição dos primeiros colonizadores postos no solo brasileiro, entende-se qual a origem desse sentimento e as suas consequências ulteriores de sua manifestação.

Quando são deixados aquí os primeiros homens brancos europeus, na areia branca da praia e as caravelas retornam, eles olham e não há mais nada que os ligue à Europa, e pela frente o que vêem é só mata verde. Da mata verde surgem as feras, da mata verde surgem os insetos, da mata verde surgem os índios e todo o perigo. E se eles estão alí para conquistar alguma coisa, só podem ver o que há pra conquistar se a mata sair da frente. Portanto a melhor paisagem do ponto de vista de quem está na condição de colonizador – que já não tem nenhum contato com a Europa e não tem nenhuma alternativa se não marchar para diante – é a paisagem ausente, é a eliminação completa daquele verde. Porque o verde é o perigo, a possibilidade iminente de sua eliminação física. Nessa direção é que se constrói a lógica da ocupação predatória da terra e é assim que se desenvolve a sensibilidade nativa com relação à natureza.”

Publicado também em: http://www.pegambiental.blogspot.com (link: política e gestão ambiental)

 

Agora a tradução…claro!

 

Se gnorizo apo tin kopsi,

Eu o reconheço da batalha,

Tu spathiu tin tromeri

da espada poderosa

Se gnorizo apo tin opsi

o reconheço pela sua mira,

Pu me vria metrai ti Gi!

Com a violencia na qual mensura a Terra!

Ap´ ta kakala vgalmeni

Tomada dos ossos sagrados,

To Ellinon ta iera

dos Gregos….(??)

Ke san prota andromeni,

que corajosos como antes,

Here, oh here eleftheria!

Aclamam, oh aclamam a liberdade!

 Algumas partes ainda estão meio “obscuras” p mim, mas é isso aí, deve tá certinho! É um hino bonito, não só pela letra da canção, mas pela sonoridade.

Hino da Grécia (trechinho)

 

É bonito. O brasileiro é mais!